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Alergia e intolerância alimentar: entenda as diferenças
A alimentação é o processo pelo qual os organismos obtêm e incorporam alimentos ou nutrientes para as suas funções vitais, tais como o crescimento e a reprodução. É um dos principais responsáveis pela manutenção da temperatura corporal, através do sistema digestivo, pois produz enzimas que atuam na decomposição dos alimentos.
Com o ritmo acelerado do dia a dia e a preferência por uma alimentação mais rápida e prática, alimentar-se atualmente é, para muitos, sinónimo de consumir produtos industrializados, alimentos embalados, semi-prontos, ricos em sal, aditivos, gorduras e açúcar.
Consequentemente, a presença destes aditivos e contaminantes de origem química ou bacteriológica, bem como o grande número de antigénios alimentares, pode facilmente explicar a elevada frequência de reações adversas aos alimentos.
Não se conhece ao certo a verdadeira incidência destas reações, que podem ser designadas por diferentes termos: reação adversa aos alimentos, alergia alimentar, hipersensibilidade alimentar e intolerância alimentar.
O que é a intolerância alimentar?
As definições de intolerância alimentar são várias e podem incluir: qualquer reação adversa aos alimentos de natureza não imunológica; incapacidade de digerir completamente hidratos de carbono (principalmente dissacáridos), dos quais a lactose é o mais relevante; reação de hipersensibilidade do tipo III (reação imunitária tardia mediada por IgG), ou ainda uma resposta do organismo à ingestão de determinados alimentos que este tem dificuldade em digerir, metabolizar ou absorver, resultando em desconforto significativo associado a vários sintomas.
Isto ocorre devido à falta de enzimas necessárias para a digestão e absorção adequadas de um determinado alimento, podendo levar à ativação do sistema imunitário.
Estima-se que a prevalência da intolerância alimentar na população em geral seja de 5 a 20%. No entanto, devido à falta de dados ou ao subdiagnóstico, a verdadeira prevalência permanece desconhecida.
A maioria destas reações adversas resulta de contaminação, reações farmacológicas, tóxicas, metabólicas e/ou neuropsicológicas de origem não imunológica. Por isso, são classificadas como intolerância e não como alergia alimentar.
Existem diversos fatores que podem alterar a funcionalidade do sistema imunitário ou a permeabilidade intestinal (como o stress, infeções, antibióticos ou uso excessivo de anti-inflamatórios), aumentando a probabilidade de desenvolver intolerância alimentar.
Acredita-se que o aumento da permeabilidade intestinal possa estar associado à intolerância mediada por IgG, permitindo que substâncias alimentares entrem na circulação e estimulem a produção de IgG específica.
Uma produção elevada de IgG específica pode estar associada à diminuição de citocinas anti-inflamatórias, como IL-10 e TGFb1, relacionadas com a síndrome do intestino irritável.
Este tipo de intolerância está associado a diversos sintomas inespecíficos, como erupções cutâneas, urticária, asma, cólicas abdominais, diarreia e até manifestações neurológicas, como enxaquecas.
As intolerâncias alimentares podem ser causadas por vários alimentos, sendo as mais comuns a intolerância ao glúten e à lactose.
Intolerância ao glúten
O glúten é uma mistura de proteínas presentes principalmente no trigo, cevada, centeio e aveia.
Estas proteínas são altamente resistentes à digestão pelas enzimas do trato gastrointestinal. Assim, a intolerância ao glúten é causada pela incapacidade do intestino delgado de digerir essas proteínas, o que pode provocar inflamação intestinal, dor e outros distúrbios digestivos.
A forma mais comum de prevenir os sintomas é através de uma dieta isenta de glúten. Também é recomendável verificar os rótulos dos produtos e ler cuidadosamente a sua composição.
Intolerância à lactose
A lactose é o açúcar presente no leite. No intestino, é decomposta pela enzima lactase em galactose e glicose.
Quando há diminuição da atividade da lactase, a lactose não é devidamente digerida, caracterizando a intolerância à lactose.
Os sintomas incluem dor abdominal, náuseas, flatulência, diarreia e variam conforme a quantidade ingerida e a idade do indivíduo.
Para prevenir sintomas, recomenda-se evitar temporariamente o leite e derivados, optar por bebidas vegetais (como arroz, soja ou aveia) e reduzir o consumo de alimentos ricos em lactose.
No entanto, a exclusão total deve ser evitada, pois pode causar défices nutricionais, nomeadamente de cálcio e vitaminas.
Sintomas de intolerância alimentar
Os sintomas mais comuns incluem:
- Diarreia
- Obstipação
- Dor abdominal
- Sensação de inchaço
- Refluxo gastroesofágico
- Gases
- Síndrome do intestino irritável
- Dores musculares e articulares
- Fadiga
- Dores de cabeça
- Problemas cutâneos
A remoção dos alimentos causadores geralmente melhora significativamente os sintomas.
O que é a alergia alimentar?
A alergia alimentar é uma reação do sistema imunitário que ocorre rapidamente após a ingestão de um alimento, mesmo em pequenas quantidades.
Está normalmente associada à produção de anticorpos IgE e corresponde a uma reação de hipersensibilidade imediata.
Os sintomas podem afetar a pele, sistema digestivo, respiratório e cardiovascular e incluem:
- Urticária
- Inchaço (lábios, olhos, língua)
- Dificuldade em respirar
- Náuseas e vómitos
- Dor abdominal
- Anafilaxia (casos graves)
A alergia alimentar é menos comum que a intolerância, mas pode ser mais grave.
Diferença entre alergia e intolerância alimentar
- Alergia alimentar: envolve o sistema imunitário (IgE), tem reações rápidas e pode ser grave.
- Intolerância alimentar: não envolve diretamente o sistema imunitário e está relacionada com dificuldades digestivas.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico pode incluir:
- Testes cutâneos
- Análises de IgE
- Dietas de exclusão
- Testes de provocação oral
O tratamento baseia-se principalmente na evitação dos alimentos desencadeantes e, em casos de alergia, no uso de medicação adequada (como adrenalina em situações graves).
Artigo adaptado do original, retirado do site https://www.synlab-sd.com/