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ISTs

22 Jul 2026

Gonorreia: prevenção, sintomas e teste

A Gonorreia é uma infeção sexualmente transmissível sendo uma manifestação da infeção pela bastéria Neisseria gonorrhoeae. Esta infeção é quase exclusivamente transmitida por via sexual e a bactéria pode ser encontrada no trato genital, faringe e reto.

A gonorreia pode afetar ambos os sexos, sendo que, as mulheres são muitas vezes assintomáticas.

De acordo com estudos feitos sobre a incidência desta infeção sexualmente transmitida (IST) nos últimos anos, em Portugal a média da taxa de incidência é de 2.1 ± 2.28 por 100.000 habitantes, revelando-se o país com menor incidência entre os países do sul da Europa. No entanto, desde 2004/2005 tem havido uma tendência crescente que, segundo alguns autores, pode estar relacionada com o abrandamento da transmissão à população de medidas preventivas das IST ou com a mobilidade populacional verificada desde então. Segundo os mesmos, se esta tendência persistir pode constituir um grave problema de saúde pública.

 

Gonorreia e Saúde Pública: o que se está a fazer?

 

Em 2020, a OMS teve o registo de 82.4 milhões de infeções por gonorreia em indivíduos entre os 15 e 49 anos. Como tal, esta entidade reconhece que a gonorreia é um importante problema de saúde pública, tendo estabelecido como objetivo a redução da sua incidência em 90% até 2030. Para tal, a organização está a trabalhar com os países para melhorar a gestão de casos, assegurar tratamentos e testagens eficazes, desenvolver novas formas de diagnóstico e tratamento eficaz, desenvolver vacinas e melhorar a vigilância dos casos.

 

Quais são os sintomas de Gonorreia?

A gonorreia pode causar sintomas no trato genital, reto ou garganta, sendo que os sintomas surgem habitualmente 1-14 dias após o contacto sexual com uma pessoa infetada.

 

Sintomas na zona genital 

Em homens, os sintomas mais comuns são:

  • Corrimento branco, amarelo ou verde
  • Dor ou ardor ao urinar
  • Testículos “inchados” ou com dor

Apesar de a maioria das mulheres serem assintomáticas ou não repararem nos sintomas, o aparecimento destes sinais pode indiciar infeção:

  • Corrimento vaginal
  • Dor ou ardor ao urinar
  • Perda de sangue vaginal entre menstruações ou durante o ato sexual

 

Sintomas de infeção retal e garganta 

 

No qua toca a infeções pelo trato retal, podem surgir os sinais e sintomas indicados, quer seja em homens ou mulheres podem:

  • Corrimento
  • Hemorragia
  • Prurido
  • Dor
  • Movimentos intestinais dolorosos

Por fim, em casos de infeção na garganta não há normalmente sintomas. Pode, no entanto, ocorrer vermelhidão, dor ou inflamação na garganta.

 

Quais são as complicações possíveis de uma infeção não tratada? 

 

Se não for tratada, a bactéria pode disseminar-se para outras áreas do corpo e provocar infeção em outras localizações. Apesar de ter pouca ocorrência, algumas das complicações possíveis são meningite, endocardite e abscessos periféricos. Os portadores desta IST têm ainda um maior risco de ser infetados pelo vírus da SIDA.

Em mulheres, a infeção por esta bactéria pode causar infertilidade, dor pélvica crónica e gravidez ectópica. Nos homens, as complicações mais comuns são edema (inchaço) do escroto, estreitamento da uretra e infertilidade.

 

Gonorreia na gravidez

 

As grávidas que tenham testado positivo a esta IST, podem passar a infeção ao recém-nascido que pode desenvolver uma infeção ocular.  Assim sendo, em bebés nascidos de mães infetadas, a complicação mais comum é a conjuntivite neonatal que pode levar a cegueira.

Em casos mais raros, pode ocorrer uma infeção gonocócica disseminada, que se manifesta através de febre e infeções em vários órgãos como a pele, coração, articulações e meninges.

 

Quais são os principais fatores de risco para gonorreia? 

 

Apesar de não serem só por si indicativos de probabilidade de infeção por gonorreia, existem alguns fatores de risco que contribuem para uma maior incidência de infeções, nomeadamente:

  • vários parceiros sexuais nos últimos meses;
  • parceiros com diagnóstico confirmado de gonorreia;
  • uso de drogas;
  • ISTs prévias.

Esta infeção apresenta ainda uma maior incidência em homens que tenham relações sexuais com outros homens, mulheres transgéneras, “profissionais do sexo” e jovens e adolescentes nos países com uma grande prevalência desta IST.

 

Como é efetuado o diagnóstico?

 

O diagnóstico da gonorreia pode ser feito através de:

  • Testes moleculares, realizados em laboratórios.
  • Microscopia de coloração de Gram, apesar de ser menos fiável em corrimentos vaginais/cervicais das mulheres e em infeções anais e na garganta;
  • Abordagem sindrómica, em locais onde a capacidade diagnóstica não está disponível;
  • Amostras de urina (método preferencial em homens);
  • Esfregaços (método preferencial em mulheres) genitais, retais, da garganta e conjuntiva;
  • Exame clínico, exame do espéculo em mulheres e palpação.

 

Teste para detetar gonorreia – quando efetuar? h3

 

Uma vez que a maioria dos casos são assintomáticos, é recomendada a testagem em populações com risco aumentado de gonorreia para prevenir a sua disseminação e o desenvolvimento de complicações.

A testagem para gonorreia é normalmente acompanhada de testes a outras ISTs tais como SIDA, sífilis e clamídia. Estão atualmente em desenvolvimento testes de diagnóstico rápido que os especialistas acreditam que irão ajudar a garantir uma maior abrangência da testagem e, consequentemente, um diagnóstico atempado destas infeções.

 

Existe tratamento desta infeção sexualmente transmissível? 

 

A gonorreia é uma infeção com tratamento através de antibióticos. No entanto os profissionais de saúde estão a deparar-se com o aparecimento de gonorreia resistente a antibióticos, o que torna o seu tratamento mais difícil, correndo até o risco de não ter tratamento possível.

Assim, pessoas com o diagnóstico confirmado de gonorreia devem ser tratadas assim que possível com antibiótico de acordo com as recomendações.

Os indivíduos afetados, após a administração, devem esperar 7 dias antes de reiniciar a atividade sexual. Devem ainda notificar o(s) seu(s) parceiro(s) sexual(is) para que possam ser testados e receber tratamento se necessário.

 

Principais causas de insucesso no tratamento 

 

O tratamento pode não resultar se:

  • O paciente não tomar a medicação conforme instruído;
  • Houver reinfeção;
  • A bactéria se tornar resistente aos medicamentos;
  • Houver outra infeção não tratada com sintomas semelhantes.

O tratamento não deve ser interrompido até que a infeção esteja completamente tratada, sendo obviamente acompanhado pelo médico prescritor.

 

Prevenção da gonorreia 

A maioria dos casos pode ser prevenido através do uso regular e correto de preservativos. Também é importante fazer testes recomendados se apresentar algum sintoma ou se estiver enquadrado nos grupos destacados como grupos de maior risco.

Apesar desta infeção causar um estigma nos infetados junto de outras pessoas, é muito importante avisar os parceiros sexuais atuais e anteriores para que eles possam também ser testados e prevenir a disseminação da doença.

 

Se a prevenção é essencial, o diagnóstico precoce, através de testes laboratoriais, permite um tratamento rápido e eficaz, prevenindo complicações.

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