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Sangue oculto nas fezes: porque pesquisar?
A presença de sangue oculto nas fezes é um sinal de alerta importante, utilizado frequentemente como indicador de possíveis doenças intestinais. Ao contrário do sangue visível, que pode ser identificado pela cor avermelhada (sangue vivo) ou escura nas fezes, o sangue oculto não é percetível a olho nu e só pode ser detetado através de exames laboratoriais específicos. Por isso, o teste de Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSOF) é de extrema importância.
O sangue encontrado nas fezes pode ser proveniente de qualquer região do aparelho digestivo e, dependendo da sua origem. A sintomatologia do indivíduo em que é pesquisado pode ser ausente e muito diversificada. A presença de sangue oculto nas fezes nem sempre indica uma condição grave, mas sendo positiva não deve ser ignorada e será devidamente investigada pelo seu médico.
Neste artigo vamos explorar quais são as possíveis causas, a importância do teste de PSOF, e o porquê de dever realizar rastreios regularmente.
Por que fazer o teste de sangue oculto nas fezes?
O teste de Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes é uma ferramenta essencial de rastreio para a deteção precoce de cancro colorretal e outras doenças intestinais. Este exame é especialmente recomendado para pessoas com mais de 50 anos, que devem realizar o teste anualmente como parte de um programa preventivo. A presença de sangue oculto nas fezes pode indicar a necessidade de exames adicionais, como a colonoscopia, que permite identificar lesões ou tumores ainda numa fase inicial.
Em Portugal, o rastreio de cancro colorretal é uma prioridade, dada a elevada incidência da doença. Segundo a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, o cancro colorretal é o segundo tipo de cancro mais comum em homens e mulheres. Estudos mostram que a deteção precoce, através de testes como o PSOF, aumenta significativamente as probabilidades de tratamento eficaz e de sobrevivência.
Quais são as causas de presença de sangue oculto nas fezes?
A presença de sangue oculto nas fezes pode estar associada a várias condições, desde problemas benignos até doenças mais graves. Abaixo, destacamos algumas das causas mais comuns:
1. Pólipos intestinais
Pólipos são pequenas estruturas que podem aparecer devido à multiplicação excessiva de células da mucosa intestinal que, em alguns casos, podem sangrar. Embora a maioria dos pólipos seja benigna, alguns podem transformar-se em tumores malignos com o avançar do tempo. Detetar pólipos precocemente permite a sua remoção e reduz o risco de desenvolvimento de cancro colorretal.
2. Cancro colorretal
O cancro colorretal é uma das causas mais sérias e comuns de presença de sangue oculto nas fezes. Nos estadios iniciais, este tipo de carcinoma pode não apresentar sinais e sintomas visíveis, o que torna o teste PSOF essencial para uma deteção precoce.
3. Úlceras gástricas ou duodenais
Úlceras no estômago ou no duodeno podem originar pequenas hemorragias que, originam algum sangue a percorrer o trato gastrointestinal e a se misturar com o conteúdo fecal. Embora as úlceras sejam mais frequentemente associadas a dores abdominais, azia e indigestão, podem ser de tal forma graves que também causam perda de sangue.
4. Doenças inflamatórias intestinais (DII)
Condições como a doença de Crohn e a colite ulcerosa são exemplos de doenças inflamatórias intestinais que podem provocar hemorragia. Além da presença de sangue oculto nas fezes, estas doenças estão associadas à presença de dor abdominal, diarreia crónica e perda de peso, entre outros sintomas. A presença de sangue nas fezes é um sinal comum de inflamação nas paredes do intestino.
5. Hemorroidas
Embora a perda de sangue de hemorroidas seja frequentemente sangue vivo visível, em alguns casos pode ser uma perda mínima e não ser percebida, sendo apenas detetada através de testes laboratoriais.
Rastreio regular: como e porquê?
Os testes de rastreio variam de país para país, consoante a incidência de cancro colorretal, os recursos locais, entre outras situações. A pesquisa de sangue oculto nas fezes pode ser realizada através de um teste com guaiaco ou através da deteção de hemoglobina humana pelo método imunoquímico. Contudo, o teste imunoquímico fecal é um método mais recente, específico para o sangue humano e que utiliza anticorpos específicos para a hemoglobina humana.
Métodos para rastreio de sangue nas fezes: as diferenças
O teste imunoquímico apresenta algumas vantagens, nomeadamente o facto de não ser necessário efetuar restrições alimentares prévias. SE for efetuado por este método a alimentação tem de ser restrita por haver interferência de hemoglobinas de origem animal (evitar carnes, citrinos, alimentos muito ricos em fibras ou de cor verde-escura e alimentos picantes).
Além dessa vantagem, no teste imunoquímico é suficiente uma única amostra ao contrário do rastreio efetuado com o teste com guaiaco em que costumam ser necessárias duas amostras de fezes retiradas de três dejeções (no total de seis amostras).
Alguns estudos científicos revelam que o rastreio por teste imunoquímico é mais eficaz na deteção e portante no diagnóstico precoce de mais cancros e pólipos do que o rastreio por PSOF com guaiaco.
Evolução nos testes imunoquímicos
Mais recentemente já foi desenvolvido um teste imunoquímico fecal multi-alvo (mtFIT), que além da hemoglobina mede duas outras substâncias: a calprotectina e a serpinF2. Segundo algumas investigações o mtFIT pode aumentar a capacidade de detetar adenomas e, assim, reduzir a incidência de cancro colorretal. Num estudo publicado em 2024 na conceituada revista Lancet Oncology, concluiu-se que o mtFIT detetou quase duas vezes mais neoplasias avançadas que o teste imunoquímico padrão. Portanto, parece que a longo prazo mtFIT poderá ser uma opção para o rastreio pois apresenta melhor relação custo benefício.
A importância do rastreio regular
A realização regular do teste de sangue oculto nas fezes é uma medida preventiva recomendada para pessoas com mais de 50 anos e para aquelas com fatores de risco adicionais, como histórico familiar de cancro colorretal, doenças inflamatórias intestinais ou antecedentes pessoais de pólipos. Em Portugal, segundo a Direção-Geral da Saúde, o rastreio de cancro colorretal através do PSOF é recomendado como parte dos cuidados de saúde primários, com o objetivo de aumentar a deteção precoce e reduzir a mortalidade associada a esta doença. E, deve ser feito de 2 em 2 anos caso não exista outra recomendação específica.
O teste é simples, não invasivo, e pode ser realizado em casa, mediante orientação médica. Quando o resultado do PSOF é positivo, indica a necessidade de exames complementares, como a colonoscopia, para uma avaliação mais detalhada. Obviamente o seu médico irá orientar os exames complementares que entender serem os mas adequados.
Ter um teste positivo não significa necessariamente a presença de cancro, mas reforça a necessidade de investigação para identificar e tratar qualquer condição subjacente. Quanto mais cedo for realizado o diagnóstico, maior será a probabilidade de tratamento bem-sucedido.
Lembre-se: o cancro do intestino (colon e reto) é um dos tumores mais comuns no mundo ocidental.
A SYNLAB, líder europeia em diagnóstico, disponibiliza exames precisos e confiáveis para a deteção de sangue oculto nas fezes, auxiliando na prevenção e no diagnóstico precoce de doenças intestinais. Se tiver mais de 50 anos ou apresentar fatores de risco, consulte o seu médico sobre a possibilidade de realizar esta pesquisa.
https://www.mgfamiliar.net/blog/psofr/
https://acesportoocidental.org/public/files/rastreio_cancro_colon_reto_panfleto.pdf
https://www.thelancet.com/journals/lanonc/article/PIIS1470-2045(23)00651-4/abstract